“E te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em
eficácia; sabe, pois, que Deus exige de ti menos do que merece a tua
iniquidade. Porventura alcançarás os caminhos de
Deus, ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso? Como as alturas dos céus é a
sua sabedoria; que poderás tu fazer? É mais profunda do que o inferno, que
poderás tu saber? Mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do
que o mar. ” (Jó 11:
6-9).
Você sabe o que é polimorfismo?
Quando uma coisa pode assumir diversas formas sem perder a qualidade de sua
essência? Pois’ é! Polimorfismo é uma das qualidades de Deus um tanto que
esquecida nos dias de hoje, em que se fala tanto de objetividade, foco
unilateral, determinação, enfim, de precisão e padrão, mas você sabia que Deus
não é nada disso! E sim, Satanás, que irada e desesperadamente busca derrubar o
maior número possível de pessoas da verdade? Como se declara: "Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós
que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu
a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo." (Apocalipse
12: 12).
Portanto, a verdadeira sabedoria é polimórfica,
ou, multiforme, como declara Paulo: "Para
que agora, pela igreja, a multiforme
sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos
céus," (Efésios 3: 10), e é estas muitas formas da verdade, que
convenhamos, não é única nem objetiva, mas é plural e diversificada, conforme
os muitos propósitos de Deus para com os homens e a Igreja, e como declara
Pedro: "Cada um administre aos
outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de
Deus." (1ª Pedro 4: 10) ...declarando com isso que há muitos serviços,
no que entendemos que para cada serviço há um conhecimento, ou, estas muitas
formas da verdade, uma sabedoria diferente para cada propósito, portanto, não
existe uma sabedoria que sirva de “chave mestra” para abrir todas as portas,
sendo que é nas diferenças que consiste a verdade, não havendo um padrão que
subjugue a tudo, a não ser que seja uma mentira, ou ilusão.
Reavaliemos o texto: “Pois dizes: A minha doutrina é pura, e sou
limpo aos teus olhos. Oh! Falasse Deus, e abrisse os seus lábios contra ti, e
te revelasse os segredos da sabedoria, da verdadeira sabedoria, que é
multiforme! Sabe, portanto, que Deus permite seja esquecida parte da tua
iniquidade. ” (Jó 11: 4-6 ARA), ou seja, não fosse a misericórdia de Deus
em considerar a nossa ignorância que insiste em dizer que a possessão da
santidade é vital, Deus a tempos já nos teria exterminado em nossas
indiferenças quanto às razões de cada um, que não são as mesmas para todos,
mas, é óbvio que o que tem valor para um, nem sempre tem para outro, o que
declara que cada um possui necessidades diferentes, porque as razões pessoais
determinam valores diferentes, e consequentemente, necessidades diferentes.
E como declara Tiago: "Mas a sabedoria que do alto vem é,
primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia
e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia." (Tiago 3: 17).
Ou seja, a sabedoria divina, os valores de Deus, aquilo que Deus considera
essencial, nos projeta para diversos horizontes, o que determina uma hegemonia
de poder que não cabe em nossos princípios e valores, ao ponto que a sabedoria
de Deus dispersa, envia, comissiona com diferentes características para
liberdades, ou, para propósitos plurais conforme convém para edificação mútua e
individual em razão daquilo que nos dispomos, ou, nos empenhamos.
Salomão chega a dizer: "A SABEDORIA já edificou a sua casa, já
lavrou as suas sete colunas. Já abateu os seus animais e misturou o seu vinho, e já preparou a sua mesa." (Provérbios
9: 1-2), esta homogeneização, mistura e sincretismo, embriaga e confunde a
consciência de qualquer um que se ache no direito de ter a razão e busque impor
a sua visão pessoal acima das diferenças, tanto de crenças como atividades, o
que declara que a graça não impõe uma obrigatoriedade que senão respeito às
diferenças, mesmo que elas não caibam em nossos conceitos e compreensões, ao
que Isaías é categórico: "Que
desfaço os sinais dos inventores de mentiras, e enlouqueço os adivinhos; que faço tornar atrás os sábios, e converto
em loucura o conhecimento deles;" (Isaías 44: 25).
O que nos coloca em ciladas à medida
que busquemos “a razão de todas as coisas”, porque não há uma única razão, como
por exemplo dizer que o mais importante é o amor, outro diz: a fé, ainda outro:
a Lei; enfim, o fato de querer subjugar a tudo num único conceito, deturpa a
verdade e prolifera distorções, por desconsiderar que cada qual possui função
própria e colabora com o todo em temor a Deus, não sendo o todo compreensível
em uma única assimilação, nem Deus em uma única experiência...
O que parece antagônico e irracional,
ao ponto que Paulo declara: "Visto
como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria,
aprouve a Deus salvar os crentes pela
loucura da pregação." (1ª Coríntios 1: 21), sendo impossível a
racionalidade determinar o foco para que se achegue até a verdade, mas a
revelação de Deus está acima daquilo que os homens queiram decretar como base,
como fundamento para que tudo esteja subjugado, sendo assim, a pessoa de Jesus,
o relacionamento com Deus considerando a Sua onipresença, e soberania, deflagra
que a evolução e a salvação de um homem não acontecem em parâmetros lúcidos,
mas em respeito à Deus em suas diversas apresentações.
Sendo que a racionalização, ou
lucides de conhecimentos, sobrecarrega e impede que os homens tenham acesso à
vontade de Deus, pelo que Salomão declara: "E
apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as
loucuras, e vim a saber que também isto
era aflição de espírito. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em
conhecimento, aumenta em dor." (Eclesiastes 1: 17-18), e Tiago sugere: "Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que
receberemos mais duro juízo." (Tiago 3: 1), ficando óbvio que com o
conhecimento, aumenta a responsabilidade, e em consequência disso, o desespero
em acertar, em livrar-se da condenação.
Portanto, assim como o Diabo está
desesperado lutando por aliados contra Deus, assim também, muitos homens em
dias atuais ignoram o polimorfismo divino “achando que Deus deve se subjugar a
seus conceitos de verdade sobre, e o que é Deus”, o que se resume numa tirania em querer
“mandar” no Criador, ao invés de submeter-se à Sua vontade e fazer aquilo que
Ele revela que deve ser manifesto, o que enquadra em condenação diante do
Todo-poderoso, ao que mais uma vez lembremos: "Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está
escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia." (1ª Coríntios
3: 19).
Reavaliemos o recado: "Mas, chegando também o que recebera um
talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde
não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; e, atemorizado, escondi na terra o
teu talento; aqui tens o que é teu. Respondendo, porém, o seu senhor,
disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto
onde não espalhei? Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e,
quando eu viesse, receberia o meu com os juros. Tirai-lhe pois o talento, e
dai-o ao que tem os dez talentos." (Mateus 25: 24-28).
Então, qualquer conhecimento que se
tenha de Deus, não pode estagnar em nossas mãos! O que deflagra urgência em
fazer tudo o que vier em mãos, não arbitrariamente, ou com propósito de
intromissão em vida alheia, mas em participar das muitas formas que Deus se
apresenta, colaborando com a manifestação divina mediante aquilo que Deus
dispõe ao nosso entendimento, e assim, cumprindo diligentemente em conformidade
à nossa capacidade, que Deus outorgou para o nosso galardão em Seu reino, e que
nos acarreta dano, ou ganho, em razão do nosso esforço por fazer aquilo que
agrada a Deus em decorrência do nosso temor e respeito à Sua natureza
polimórfica, nos enquadrando em uma compreensão altaneira e ampla daquilo que
consiste a vontade de Deus, que é específica em suas razões, porém,
diversificada em suas manifestações....
O que sugere um autocondicionamento e
não uma imposição de razão, como declara Paulo: "Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me
tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns." (1ª
Coríntios 9: 22), evidenciando com isso que devemos buscar envolvimento pelo
testemunho da presença, e não pelo domínio autoritário, como adverte Jesus: "O maior dentre vós será vosso
servo." (Mateus 23: 11), o que pressupõe consideração e não arrogância
em querer submeter tudo e a todos às nossas próprias razões. Enfim, as muitas
formas com que Deus se apresenta, devem cativar em nós inspiração para
considerar cada qual em seu próprio ajuste na vontade de Deus. Assim, Deus se
manifesta no coletivo, enquanto nós, no individual! Sendo que cada um
responderá por si só e sua influência no coletivo como emissário de Deus,
portanto, o mais alto grau de desenvolvimento espiritual se caracteriza em
nosso polimorfismo, e jamais em nossa tirania determinista de querer subjugar
Deus, e Sua revelação, ao nosso serviço e desejo, o que enquadra quem vai contra
o polimorfismo divino, se achando justo aos seus próprios olhos, como quem está
contra Deus, destruindo, desconcertando, atrasando a evolução dos demais, o que
nos tornaria perfeitamente condenáveis mediante Deus como quem enterrou o seu
talento, acomodando-se à um único estado espiritual, numa rigidez estagnaria, o
que é empobrecimento, enfraquecimento espiritual... ou seja, desconsiderar a
necessidade urgente de polimorfismo, limita tanto o agir como a presença de Deus
em nós! À caráter de abundância e plenitude de vida, que pensemos nisso, amém.
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