quinta-feira, 9 de novembro de 2017

O DEUS QUE É POLIMORFO.

“E te fizesse saber os segredos da sabedoria, que é multíplice em eficácia; sabe, pois, que Deus exige de ti menos do que merece a tua iniquidade. Porventura alcançarás os caminhos de Deus, ou chegarás à perfeição do Todo-Poderoso? Como as alturas dos céus é a sua sabedoria; que poderás tu fazer? É mais profunda do que o inferno, que poderás tu saber? Mais comprida é a sua medida do que a terra, e mais larga do que o mar. ” (Jó 11: 6-9).
Você sabe o que é polimorfismo? Quando uma coisa pode assumir diversas formas sem perder a qualidade de sua essência? Pois’ é! Polimorfismo é uma das qualidades de Deus um tanto que esquecida nos dias de hoje, em que se fala tanto de objetividade, foco unilateral, determinação, enfim, de precisão e padrão, mas você sabia que Deus não é nada disso! E sim, Satanás, que irada e desesperadamente busca derrubar o maior número possível de pessoas da verdade? Como se declara: "Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande ira, sabendo que já tem pouco tempo." (Apocalipse 12: 12).
Portanto, a verdadeira sabedoria é polimórfica, ou, multiforme, como declara Paulo: "Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus," (Efésios 3: 10), e é estas muitas formas da verdade, que convenhamos, não é única nem objetiva, mas é plural e diversificada, conforme os muitos propósitos de Deus para com os homens e a Igreja, e como declara Pedro: "Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus." (1ª Pedro 4: 10) ...declarando com isso que há muitos serviços, no que entendemos que para cada serviço há um conhecimento, ou, estas muitas formas da verdade, uma sabedoria diferente para cada propósito, portanto, não existe uma sabedoria que sirva de “chave mestra” para abrir todas as portas, sendo que é nas diferenças que consiste a verdade, não havendo um padrão que subjugue a tudo, a não ser que seja uma mentira, ou ilusão.
Reavaliemos o texto: “Pois dizes: A minha doutrina é pura, e sou limpo aos teus olhos. Oh! Falasse Deus, e abrisse os seus lábios contra ti, e te revelasse os segredos da sabedoria, da verdadeira sabedoria, que é multiforme! Sabe, portanto, que Deus permite seja esquecida parte da tua iniquidade. ” (Jó 11: 4-6 ARA), ou seja, não fosse a misericórdia de Deus em considerar a nossa ignorância que insiste em dizer que a possessão da santidade é vital, Deus a tempos já nos teria exterminado em nossas indiferenças quanto às razões de cada um, que não são as mesmas para todos, mas, é óbvio que o que tem valor para um, nem sempre tem para outro, o que declara que cada um possui necessidades diferentes, porque as razões pessoais determinam valores diferentes, e consequentemente, necessidades diferentes.
E como declara Tiago: "Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia." (Tiago 3: 17). Ou seja, a sabedoria divina, os valores de Deus, aquilo que Deus considera essencial, nos projeta para diversos horizontes, o que determina uma hegemonia de poder que não cabe em nossos princípios e valores, ao ponto que a sabedoria de Deus dispersa, envia, comissiona com diferentes características para liberdades, ou, para propósitos plurais conforme convém para edificação mútua e individual em razão daquilo que nos dispomos, ou, nos empenhamos.
Salomão chega a dizer: "A SABEDORIA já edificou a sua casa, já lavrou as suas sete colunas. Já abateu os seus animais e misturou o seu vinho, e já preparou a sua mesa." (Provérbios 9: 1-2), esta homogeneização, mistura e sincretismo, embriaga e confunde a consciência de qualquer um que se ache no direito de ter a razão e busque impor a sua visão pessoal acima das diferenças, tanto de crenças como atividades, o que declara que a graça não impõe uma obrigatoriedade que senão respeito às diferenças, mesmo que elas não caibam em nossos conceitos e compreensões, ao que Isaías é categórico: "Que desfaço os sinais dos inventores de mentiras, e enlouqueço os adivinhos; que faço tornar atrás os sábios, e converto em loucura o conhecimento deles;" (Isaías 44: 25).
O que nos coloca em ciladas à medida que busquemos “a razão de todas as coisas”, porque não há uma única razão, como por exemplo dizer que o mais importante é o amor, outro diz: a fé, ainda outro: a Lei; enfim, o fato de querer subjugar a tudo num único conceito, deturpa a verdade e prolifera distorções, por desconsiderar que cada qual possui função própria e colabora com o todo em temor a Deus, não sendo o todo compreensível em uma única assimilação, nem Deus em uma única experiência...
O que parece antagônico e irracional, ao ponto que Paulo declara: "Visto como na sabedoria de Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os crentes pela loucura da pregação." (1ª Coríntios 1: 21), sendo impossível a racionalidade determinar o foco para que se achegue até a verdade, mas a revelação de Deus está acima daquilo que os homens queiram decretar como base, como fundamento para que tudo esteja subjugado, sendo assim, a pessoa de Jesus, o relacionamento com Deus considerando a Sua onipresença, e soberania, deflagra que a evolução e a salvação de um homem não acontecem em parâmetros lúcidos, mas em respeito à Deus em suas diversas apresentações.
Sendo que a racionalização, ou lucides de conhecimentos, sobrecarrega e impede que os homens tenham acesso à vontade de Deus, pelo que Salomão declara: "E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito. Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor."  (Eclesiastes 1: 17-18), e Tiago sugere: "Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo." (Tiago 3: 1), ficando óbvio que com o conhecimento, aumenta a responsabilidade, e em consequência disso, o desespero em acertar, em livrar-se da condenação.
Portanto, assim como o Diabo está desesperado lutando por aliados contra Deus, assim também, muitos homens em dias atuais ignoram o polimorfismo divino “achando que Deus deve se subjugar a seus conceitos de verdade sobre, e o que é  Deus”, o que se resume numa tirania em querer “mandar” no Criador, ao invés de submeter-se à Sua vontade e fazer aquilo que Ele revela que deve ser manifesto, o que enquadra em condenação diante do Todo-poderoso, ao que mais uma vez lembremos: "Porque a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus; pois está escrito: Ele apanha os sábios na sua própria astúcia." (1ª Coríntios 3: 19).
Reavaliemos o recado: "Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; e, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros. Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos." (Mateus 25: 24-28).
Então, qualquer conhecimento que se tenha de Deus, não pode estagnar em nossas mãos! O que deflagra urgência em fazer tudo o que vier em mãos, não arbitrariamente, ou com propósito de intromissão em vida alheia, mas em participar das muitas formas que Deus se apresenta, colaborando com a manifestação divina mediante aquilo que Deus dispõe ao nosso entendimento, e assim, cumprindo diligentemente em conformidade à nossa capacidade, que Deus outorgou para o nosso galardão em Seu reino, e que nos acarreta dano, ou ganho, em razão do nosso esforço por fazer aquilo que agrada a Deus em decorrência do nosso temor e respeito à Sua natureza polimórfica, nos enquadrando em uma compreensão altaneira e ampla daquilo que consiste a vontade de Deus, que é específica em suas razões, porém, diversificada em suas manifestações....

O que sugere um autocondicionamento e não uma imposição de razão, como declara Paulo: "Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns." (1ª Coríntios 9: 22), evidenciando com isso que devemos buscar envolvimento pelo testemunho da presença, e não pelo domínio autoritário, como adverte Jesus: "O maior dentre vós será vosso servo." (Mateus 23: 11), o que pressupõe consideração e não arrogância em querer submeter tudo e a todos às nossas próprias razões. Enfim, as muitas formas com que Deus se apresenta, devem cativar em nós inspiração para considerar cada qual em seu próprio ajuste na vontade de Deus. Assim, Deus se manifesta no coletivo, enquanto nós, no individual! Sendo que cada um responderá por si só e sua influência no coletivo como emissário de Deus, portanto, o mais alto grau de desenvolvimento espiritual se caracteriza em nosso polimorfismo, e jamais em nossa tirania determinista de querer subjugar Deus, e Sua revelação, ao nosso serviço e desejo, o que enquadra quem vai contra o polimorfismo divino, se achando justo aos seus próprios olhos, como quem está contra Deus, destruindo, desconcertando, atrasando a evolução dos demais, o que nos tornaria perfeitamente condenáveis mediante Deus como quem enterrou o seu talento, acomodando-se à um único estado espiritual, numa rigidez estagnaria, o que é empobrecimento, enfraquecimento espiritual... ou seja, desconsiderar a necessidade urgente de polimorfismo, limita tanto o agir como a presença de Deus em nós! À caráter de abundância e plenitude de vida, que pensemos nisso, amém. 

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