"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em
Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não
teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a
forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de
homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.
Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre
todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre
todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a
língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai." (Filipenses 2: 5-11).
A maior polêmica entre judeus e
cristãos é o fato de nós cristãos afirmarmos que Jesus é o messias prometido
que deveria vir para salvar a humanidade, enquanto que muitos judeus não o
aceitam e o consideram um mero profeta e ainda aguardam a vinda do “verdadeiro
messias”, enquanto que nós consideramos que Jesus é o “escolhido”, e não só
isso, mas para nós, Jesus é o próprio Deus e único mediador entre nós e o Pai,
havendo salvação somente em quem se confia plenamente a Jesus, coisa que só
pode ser assimilada conforme o grau de transcendência de cada qual, sendo isso
uma revelação que não é dada a todos, mas somente para aqueles que reinarão com
Jesus quando este revelar o invisível estabelecendo o seu reinado eterno em
poder e glória.
Porém, você sabia que Jesus faz
questão de que mesmo Ele sendo a Destra de Deus, o mais sublime e elevado ser
após o Pai Criador, Ele, não faz questão de “algo” diante do Pai? Muito menos
diante dos homens, ao ponto que declara: "Eu não recebo glória dos homens;" (João 5: 41), sendo indiferente se
homens o considerarem ou não, porque isso não lhe fará diferença nenhuma, mas
somente para nós, que crendo nele, receberemos o seu agir e favor, e como
declara Hebreus: "Jesus Cristo é o
mesmo, ontem, e hoje, e eternamente." (Hebreus 13: 8), sendo que a
nossa consideração para com ele, não muda, nem tira e nem acrescenta-lhe glória
alguma, pois antes de nós, ele já era e é Senhor de tudo, a fim de que somente
o senhorio de Cristo pode glorificar ao Pai, ao qual, o próprio Jesus Cristo
renderá submissão perpétua à medida que os planos do Pai sejam confirmados em
Jesus Cristo no desígnio final da Criação, como se lê: "E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o
mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus
seja tudo em todos." (1ª Coríntios 15: 28), sendo que mesmo sendo
maior que os céus e seus anjos, Jesus se sujeitou inferior aos céus tomando
forma de homem, como se declara:
"Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos.
Mas em certo lugar testificou alguém, dizendo: Que é o homem, para que dele te
lembres? Ou o filho do homem, para que o visites? Tu o fizeste um pouco menor
do que os anjos, de glória e de honra o coroaste, E o constituíste sobre as
obras de tuas mãos; todas as coisas lhe sujeitaste
debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que
lhe não esteja sujeito. Mas agora ainda não vemos que todas as coisas lhe
estejam sujeitas. Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que
fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para
que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos. Porque convinha que
aquele, para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe, trazendo
muitos filhos à glória, consagrasse pelas aflições o príncipe da salvação
deles." (Hebreus
2 : 5-10)
Texto que já havia sido anunciado por
intermédio de Davi: “Quando vejo os teus
céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; que é o homem
mortal para que te lembres dele? E o filho do homem, para que o visites? Pois
pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste.”
(Salmos 8: 3-5).
Como cristãos, sabemos que Jesus não
se apegou ao poderio de sua força e glória celestial a fim de que a sua
natureza permanecesse um mistério de maneira que prevalecesse o seu testemunho,
como lembramos: "Ou pensas tu que eu
não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões
de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém
que aconteça?" (Mateus 26: 53-54), sendo que nas Escrituras estava
anunciado o seu sofrimento como também o seu milagroso nascimento, que se diz: "Portanto o mesmo Senhor vos dará um
sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome
Emanuel." (Isaías 7: 14), sendo que nem mesmo seus pais entenderam o
mistério que acontecia, de modo que Deus Pai interessou-se em que ao menos
“aceitassem” o que estava acontecendo, como vemos no relato: "E, projetando ele isto, eis que em
sonho lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas
receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito
Santo;" (Mateus 1: 20).
Jesus sendo gerado para assumir forma
humana entre a humanidade pecadora é um milagre duma conscientização e
sobriedade da glória divina que impacta em toda noção que se possa possuir dum
Deus que é polimorfo, e que pode se revelar como bem acha viável, sabendo que
uma das formas de Deus, em Jesus, é a própria autonomia de sua irrevogável
justiça em seu proceder, que entendemos por sua sabedoria como parte de sua
natureza, vejamos: "O SENHOR me
possuiu no princípio de seus caminhos, desde então, e antes de suas obras.
Desde a eternidade fui ungida, desde o princípio, antes do começo da terra.
Quando ainda não havia abismos, fui gerada, quando ainda não havia fontes
carregadas de águas. Antes que os montes se houvessem assentado, antes dos
outeiros, eu fui gerada." (Provérbios 8: 22-25), sendo esta sabedoria
decretada em Deus como o “Verbo”, ou, o plano, que culmina no próprio Jesus
Cristo: "Então eu estava com ele, e
era seu arquiteto; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em
todo o tempo;" (Provérbios 8: 30), ou como declarou João: "No princípio era o Verbo, e o Verbo
estava com Deus, e o Verbo era Deus." (João 1: 1).
Sendo assim, o homem é a própria
forma estática da Lei de Deus que assume um propósito de estabelecer a natureza
absoluta de Deus, sendo que Deus decreta no homem a “coroa da Criação” para
fins de uma forma eterna, pelo que se declara: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa
semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre
o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a
terra." (Gênesis 1: 26), sendo propósito de Deus que a forma humana
seja a mais gloriosa projeção divina, e como declara João: "Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que
confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo o espírito que não
confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do
anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no
mundo." (1ª João 4:2-3), sendo que os que rejeitam a Deus rejeitam a
“forma”, ou melhor, a objetividade de Deus e seu propósito em reestabelecer a
sua Criação na “humanidade” de Jesus Cristo, sendo que os que se entregam ao
agir de Jesus Cristo como seu Senhor, estes, pertencem a glória de Jesus
Cristo.
Pedro enfatiza: "Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da
incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre."
(1ª Pedro 1: 23), ao que o próprio Jesus deixou claro: "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e
eu o ressuscitarei no último dia. Porque a minha carne verdadeiramente é
comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida. Quem come a minha carne e bebe
o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou,
e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por
mim." (João 6: 54-57), sendo que ninguém é santificado se não se envolver
plenamente na natureza de Deus, o que sugere um relacionamento com o Criador
por meio da intervenção de Cristo mediada pela nossa fé e aceitação dele como
nosso Senhor.
Ainda lemos: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não peca; mas o que
de Deus é gerado conserva-se a si mesmo, e o maligno não lhe toca." (1ª
João 5: 18), o que enfatiza que os salvos estão vinculados na natureza de Deus
por meio da pregação segundo a vontade de Deus, ou seja, pela obediência
daquilo que requer a presença de Deus quando ele se manifesta de forma mais
clara e lúcida, como se lê: "Vós já
estais limpos, pela palavra que vos tenho falado." (João 15: 3), e
ainda: "Visto como na sabedoria de
Deus o mundo não conheceu a Deus pela sua sabedoria, aprouve a Deus salvar os
crentes pela loucura da pregação." (1ª Coríntios 1: 21), sendo que a
verdadeira pregação tende a aprofundar a transcendência ao pleno conhecimento
do que é “espiritual”, vinculando todo homem a realidade que é exposta e
percebida pela verdade.
Jesus mesmo se auto intitulou como a
essência da verdade por não poder negar a sua natureza divina, o que foi
contestado pelos judeus da época, porém Jesus enfatizou a condição de que todos
fossem parte da natureza divina por meio de que “se dessem conta disso”, ou
seja, pelo que aceitassem esse fato, e como Jesus declarou: "Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito
na vossa lei: Eu disse: Sois
deuses?" (João 10: 34),
o que já estava evidenciado pelo salmista: "Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo." (Salmos
82: 6). Coisa que os judeus ignoraram.
Portanto a libertação do homem
consiste no fato dele tomar consciência de Deus assumindo a sua posição nas regiões
celestiais por meio da fé em Cristo e sua submissão ao senhorio de Jesus, sendo
Jesus a manifestação plena de Deus ao qual nenhum homem é superior, enfim, mesmo
que domine poderes espirituais, até de forma maior que a terrestre de Cristo,
como ele advertiu: "Na verdade, na
verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e
as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai." (João 14:
12), porém, na dependência da soberania do Criador, ou melhor, em obediência e
sujeição ao fato que Deus é maior, o que inibe a nossa petulante arrogância: “Apresentai a vossa demanda, diz o SENHOR;
trazei as vossas firmes razões, diz o Rei de Jacó. Tragam e anunciem-nos as
coisas que hão de acontecer; anunciai-nos as coisas passadas, para que
atentemos para elas, e saibamos o fim delas; ou fazei-nos ouvir as coisas
futuras. Anunciai-nos as coisas que ainda hão de vir, para que saibamos que
sois deuses; ou fazei bem, ou fazei mal, para que nos assombremos, e juntamente
o vejamos. Eis que sois menos do que nada e a vossa obra é menos do que
nada; abominação é quem vos escolhe.” (Isaías 41: 21-24).
Sendo assim, devemos ter em mente que
quando Jesus diz "Eu e o Pai
somos um." (João 10: 30),
ele não se exalta acima do pai, ou diz ser como o Pai, mas confere a sua
natureza divina acima da do homem, tanto que diz: "Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse
dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer." (João 15: 5), e
mais adiante ele explicita: "E eu
dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos
um." (João 17: 22), portanto,
unidos com o Cristo, aceitando-o como superior a nós do qual necessitados para
todas as possibilidades, estamos lhe fundamentando o senhorio devido acerca de
que ninguém se exalte acima de seu próximo, muito menos acima de Cristo, como
declara Paulo: "Assim nós, que somos
muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos
outros." (Romanos 12: 5).
O que evidencia que sem uma profunda
devoção e respeito a Jesus, toda e qualquer tentativa de justificação e
santificação se torna inútil por querer manobrar Deus à vontade do homem, de
modo que Jesus avisou: "Nem todo o
que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor,
Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos
demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi
abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a
iniquidade."
(Mateus 7: 21-23), sendo que a maior maldade que um homem pode cometer contra o
seu próximo, é buscar com arrogância justificar sua crença arraigando e
oprimindo aqueles que estão na vontade de Cristo, sendo que estes estão usando
da própria transcendência para desencaminhar pessoas do plano de Deus, como
declara Paulo: "Porquanto, não
conhecendo a justiça de Deus, e procurando estabelecer a sua própria justiça,
não se sujeitaram à justiça de Deus." (Romanos 10: 3).
O que sugere que todo aquele que nega
o senhorio de Cristo por não permitir o seu agir, estes, não pertencem a
Cristo, e como Jesus declarou: "Estando
eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me
deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a
Escritura se cumprisse." (João 17: 12), sendo óbvio que a nossa
salvação consiste em confiar no ato de Cristo por nós, de maneira que ele diz: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o
que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora." (João 6: 37).
Portanto, se cremos no amor de Jesus e consideramos com arrependimento a
necessidade da remissão de nossas atitudes na fé infrutífera ao testemunho da
virtude de Deus, podemos estar cônscios da aceitação recíproca de Jesus segundo
o nosso temor. O que provoca em nós uma nova disposição de testemunhar o
senhorio de Jesus em nossa vida possibilitando a sua ação em resposta da nossa
humildade e consciência da necessidade de redenção da nossa alma para certeza
da vida eterna.
Enfim, confiemos plenamente em Jesus,
ele sabe o que faz e porque as coisas estão como estão! Certamente que ele
providenciará solução para nossas vidas e o bom êxito da missão de Sua Igreja,
que somos nós. Amém.