Quem considera o Natal com alguma
sinceridade, geralmente, usa do pretexto de que o Natal deva ser todos os dias,
ou seja, que todos os dias deveríamos considerar a nossa “devoção” em Cristo de
tal maneira que a Sua presença se renove a cada dia em nosso coração, sendo que
este clima de fraternidade, deva ser considerado todos os dias da nossa vida
para que de fato estejamos alicerçados na verdade, como Jesus mesmo declarou: "Todo aquele, pois, que escuta estas
minhas palavras, e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou
a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram
ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a
rocha." (Mateus 7: 24). O que quer dizer que Jesus Cristo não quer ser
lembrado de nós somente em um dia do ano, mas Ele quer ser o motivo de nossa
existência.
Porém, há quem diga que “festejar o
Natal”, é besteira, coisa inútil e sem graça, pois ao que tudo indica, Jesus
não nasceu em 25 de dezembro, e mais, o Natal é apenas uma festa para o
comércio, para manter a tradição do estilo de vida consumista do Capitalismo, e
até usam de bandeira o texto bíblico em que Jesus diz: "Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos
homens." (Mateus 15: 9), o problema, é que geralmente são os
“desajustados” ao estilo da cultura social em que são agregados, e querendo
mudar tudo, num movimento contracultural,
são aqueles que apenas sabem o que não querem, ou melhor, o que querem destruir,
mas em sua razão interior não sabem bem ao o que querem edificar, sobre-colocando um jugo pior ao qual
lutam contra.
E para se justificar em sua super-santidade, declaram sem entender o
seguinte: "Porque vos digo que, se a
vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis
no reino dos céus." (Mateus 5: 20), texto que em base se refere ao
“esforço” por se manter em uma tradição que já estabelece a ordem que procede
de Deus, e com isso, por desrespeitar as dignidades, acabam se enquadrando
naquele dito, que diz assim: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço. ”
Quando senão, em sua arrogância e prepotência, querem mandar até em Deus.
E a pior parte disso tudo, é a
rebelião! Quando procede o fato de que as dignidades não serem assim tão dignas
de respeito e dignidade como reivindicam... o que evidencia que a insatisfação de
alguns, usa por pretexto uma perfeição que eles próprios não conseguem ter para
se justificar, ou seja, só a ânsia por algo melhor não significa
necessariamente que nesta ânsia esteja contida também a solução para algo
melhor, como Jesus mesmo declara: "Quem
não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha." (Mateus
12: 30), o que torna evidente que não basta um impulso plenamente espontâneo,
ou um ímpeto de coragem para se edificar algo em de acordo com a vontade de
Deus, mas uma estrutura que é passada de geração em geração é o que deve nos
abastecer e dirigir a nossa conduta para algo de fato sério e edificante, não
havendo necessidade de destruição, mas de remodelação! Ou, dum avivar diário,
constante...
Como adverte Tiago: "E sede cumpridores da palavra, e não
somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos." (Tiago 1: 22),
assim, muitos pensam que a crítica ao Natal, por causa “dos seus defeitos”, criticar
resolverá para que Deus se zangue e destrua tudo! Quanta ingenuidade! Afinal, não lemos: "Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus." (Tiago 1: 20).
Quando em
verdade o que Deus espera é posicionamento para edificar as correções
necessárias para que o sentido da devoção retorne, mas o que muitos preferem é
apenas blasfemar e “tiram o corpo fora”, como se a solução fosse cair dos céus,
e essa atitude “atemporal” é como se fosse o fato de os homens quererem ser
mais que Deus, como Tiago adverte mais adiante: "Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Quem fala mal de um irmão,
e julga a seu irmão, fala mal da lei, e julga a lei; e, se tu julgas a lei, já
não és observador da lei, mas juiz." (Tiago 4: 11).
E esta atitude “atemporal” de muitos,
tem feito com que o sentido venha se esvair ainda mais com as imposição da
burocracia, ou, do “piloto-automático”, já que ninguém mais quer se ocupar em
tentar “mudar o rumo da carruagem”, e esta burocracia, em não querer se
incomodar, deixando tudo ao léu, ao “Deus dará”, esvanece ainda mais o restinho
de sentido que ainda existe ao ponto que a escravidão aumenta mais ainda, e
muitos, com saudade da “antiga Lei”, daquela “magia de antigamente”, tornam-se
fundamentalistas querendo que insurja um “renascimento”, mas que seja a nossa
maneira! Quanto a tais pessoas, fundamentalistas, Paulo adverte: "Porque, se torno a edificar aquilo que
destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor." (Gálatas 2: 18).
Enfim, a coisa vai muito mais longe
do que ser simplesmente à favor ou contra, ou, um mero voto! Pois incute razões
desconhecidas dos demais, e este obscurecimento, não acontece por causa duma
inteligência profunda que não é compreendida, mas por causa das razões ocultas
e especuladas que em sua grande maioria são desconhecidas pela falta de
interesse em se envolver com aquilo que está posto diante do nariz!
Paulo, não teve a sabedoria que teve
por mero delírio ou êxtase num incessante arrebatamento dos sentidos à fim de que
escrevesse o que escreveu sob revelações de Deus, digamos, sob inspiração
profética! Mas a sua sabedoria e transcendência, se embasou em conhecimento de
causa, por não abandonar os princípios que conheceu, pôde assimilá-los! Como
descreve Lucas: "Toma estes contigo,
e santifica-te com eles, e faze por eles os gastos para que rapem a cabeça, e
todos ficarão sabendo que nada há daquilo de que foram informados acerca de ti,
mas que também tu mesmo andas guardando a lei." (Atos 21: 24).
Então, “guardar” uma tradição, não
anula a vida, pelo contrário, a vivifica, lhe confere sentido! Desde que feito
na confiança da aprovação de Deus, conhecendo-O, não em blasfêmias e receios...
Sabemos que a sabedoria de Jesus
escandalizou muitos de seus conterrâneos e maravilhou a outros, pelas suas
explicações que acresciam sentido aos fundamentos da verdadeira vontade de Deus
que Ele “conhecia”, e procurava argumentar e explanar aos seus ouvintes, de
tanto que lemos: "Jesus lhes respondeu,
e disse: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou."
(João 7: 16), o que lhe dignificava como verdadeiro messias e que sabia de
todas as coisas conferentes aos céus e a Terra, tanto que está declarado: "Mas
ele bem conhecia os seus pensamentos; e disse ao homem que tinha a mão mirrada: Levanta-te, e fica em pé no
meio. E, levantando-se ele, ficou em pé." (Lucas 6: 8), e ainda: "Mas o mesmo Jesus não confiava neles,
porque a todos conhecia;" (João 2: 24), e também: "E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no
homem." (João 2: 25).
Então, se quisermos enganar alguém
dizendo, ou, concordando que o Natal perdeu o sentido?! Deveríamos avaliar
primeiro: “E o que fizemos para que o Natal tivesse sentido?”
Em suma, não vem ao caso o quanto que
o Natal nos pareça “dominado”, sob controle, nem do quanto que ele nos é
imposto, mas acima de tudo, do quanto de vida que doamos para a vida! Pois Deus
só concede “vida” e forças, para aqueles que estão dispostos a fazer uso delas,
o que pressupõe que a nossa responsabilidade jamais poderá ser jogada nas
costas de outros, à exemplo do que tentou fazer Adão: "Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira,
ela me deu da árvore, e comi." (Gênesis 3: 12), ou seja, se o Natal
não faz mais sentido para você, não seria porque você não faz sentido? Isso dói
de se reconhecer, mas para quem não reconhece, também jamais compreenderá do
porquê que o Natal é tão importante que deveria ser motivo do nosso trabalho,
empenho, enfim, do porquê que deveríamos ter o nosso “Presépio Diário”, nossa
devoção contínua ao “Irmão daquela manjedoura de Belém” ... e você? O que acha?
Há a possibilidade de um “automático”? Ou realmente estamos numa luta incessante?
Havendo a necessidade fundamental em não se acomodar? Sendo a acomodação morte?
E esvanecimento de sentido? Pense! Amém!
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