sexta-feira, 26 de outubro de 2018

DOMINADO PELO DESEJO!

"Se bem fizeres, não é certo que serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu desejo, mas sobre ele deves dominar." (Gênesis 4: 7).
Mas, como dominar meu desejo?
Sabemos que há quem tenha o desejo compulsivo da sexualidade, há quem não consegue vencer os impulsos de comer, outro, de beber bebidas fortes, cada um tem os seus desejos secretos, suas fantasias, que uma vez afloradas, se tornam compulsivas.
Caim, do texto acima, tinha o desejo de matar, matar seu próprio irmão! Mas quais eram as raízes desse desejo? Bem sabemos que não era por um mero prazer, mas por algo obscuro que o impulsionava, como a inveja e ódio! Pois ele não suportava ver seu irmão “prosperando” em ter a atenção maior e uma preferência maior de Deus do que ele.
Sabemos que Caim, não conseguiu dominar seu desejo! Pois matou Abel. E nós? Conseguimos?? Seria alguém perfeito, sem nunca ter errado?
Eu sempre fui de pensar que se não conseguimos dominar nossos atos, ao menos, deveríamos tentar dominar as nossas intenções, ou, nossa vontade, nosso desejo..., como dizem: “A intenção é que vale”!
Tiago assegura: "De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?" (Tiago 4: 1). Ou seja, se há alguma satisfação, deleite, ao qual busquemos, seja por puro prazer ou por necessidade duma força maior, como fome e pobreza, ou por mera cobiça..., o certo é que somos escravos de nossos desejos por mais santos que pareçamos ou pensemos ser. O que nos coloca em constantes atritos! Verdadeiras guerras entre nós!
Isso pode soar polêmico, mas o óbvio é que somos todos escravos de algum impulso, mesmo que não admitamos isso, mas ninguém é perfeito perante Deus, mesmo, que por mais fé possa ter e expressar, pelo que concluímos: "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós." (1ª João 1: 8)...
 Tanto é que Paulo evidencia: "Porque Deus encerrou a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia." (Romanos 11: 32), em outras palavras, ninguém é tão perfeito que possa descriminar alguém só porque este tropeça em suas compulsões. Não podemos apontar o dedo! Uma vez que Deus justifica a cada qual conforme as Suas próprias intenções conforme Lhe convém.
Porém, Tiago vai mais longe! Ao apontar algo que nos constrange a lógica: "Se alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana o seu coração, a religião desse é vã." (Tiago 1 : 26), em outras concepções, poderíamos entender que é inútil alguém ter fé em Deus, se não há interesse em buscar dominar seus próprios desejos, seus impulsos e seus julgamentos, como Tiago também declara: "Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear; está cheia de peçonha mortal." (Tiago 3: 8).
Quando Tiago fala em “língua”, ele está se referindo à propensão de defesa e ataque, mediada pela disposição da intensão, já que Jesus também declarou: "Raça de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca." (Mateus 12: 34). Sendo o coração donde brotam desejos e ações.
Bem sabemos que podemos nos santificar limpando o nosso coração com o desejo de vida eterna. Almejar as coisas celestiais significa antes de qualquer coisa, buscar por uma mudança, como adverte Paulo: "Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também." (Efésios 2: 3), indicando que pela graça já não pertencemos mais aos impulsos da escravidão, porém, qual a evidência disso?
Simples: “Quem já é espiritual, estando na vontade de Deus, cogita de coisas espirituais, como quem é ainda é carnal, pertencente a Satanás, cogita de coisas carnais”! Pelo que se pode ler: "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." (1ª Coríntios 2: 14), e Pedro assegura: "Amados, peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das concupiscências carnais que combatem contra a alma;" (1ª Pedro 2: 11).
Em outras palavras, os impulsos do corpo humano, quando não disciplinados pelo interesse em coisas celestiais a fim de desenvolver uma conexão com o transcendente, estes impulsos prevalecendo, matam a nossa alma e a nossa sensibilidade para perceber a vontade de Deus para continuar nos planos divinos, ao ponto, de que com a satisfação da “carne”, nos enganamos achando que estamos fazendo a nossa vontade quando em verdade estamos agradando àquele que não quer que despertemos para a realidade da presença divina, como Jesus adverte: "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira." (João 8: 44).
Ou, toda ilusão dos prazeres terrenos submerge para a perdição com valores que definem a nossa intenção. Quando conseguimos ter outros valores, mesmo que nos pareçam impossíveis, como declara Paulo: "Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim." (Romanos 7 : 20), portanto, só o fato de nos auto-reprovarmos após algum erro que acusa a consciência, pois cogitamos, ou, gostaríamos de fazer aquilo que agrada a Deus sinceramente, isso nos desconecta automaticamente da condenação que nos sobreviria se aprovássemos os nossos impulsos como se fossem coisas corretas. Ao que Paulo assegura: "E por que não dizemos (como somos blasfemados, e como alguns dizem que dizemos): Façamos males, para que venham bens? A condenação desses é justa." (Romanos 3: 8).
Enfim, é óbvio que não somos perfeitos e não merecemos os céus, mas o fato de haver em nós algum esforço por ter interesse em Deus e valores celestiais, isso nos esquiva da condenação caso aprovássemos a nossa escravidão aos desejos.
Concluindo, somos todos escravos de algum tipo de satisfação, porém, como reagimos a essa escravidão, seja com arrependimento ou vergonha, isso nos recondiciona nos propósitos divinos para a nossa vida. E com isso, para a nossa inclusão ao povo eleito, que, diga-se de passagem, não é perfeito, mas busca se “limpar” na graça de Deus, como declara Apocalipse: "Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda." (Apocalipse 22: 11).
Pensando nisso, envolvidos no lamaçal dos interesses humanos, seríamos porcos? Ou melhor, desinteressados? Não levando a sério a Deus?!  Ou somos cães? Ou melhor, aqueles que desistem da fé? Apostatas?! Pois Jesus assegurou: "Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem." (Mateus 7: 6), ou seja, os porcos fazem pouco caso e os cães traem! Mas as verdadeiras delícias espirituais, o banquete da verdade, e os mais profundos mistérios da vontade divina e do Reino de Deus só serão revelados e concedidos para aqueles que não ponderam em permanecer nestes dois grupos de cristãos com perfil de Judas Iscariotes...
Portanto, um pouquinho de cada vez, perseveremos em levar Deus a sério! Isso fará uma diferença profunda em nossa vitória, pelo que relembro: "Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam." (1ª Coríntios 2: 9), se há algum prazer agora? Que dirá, porém o prazer daqueles dias? Quando as virtudes dos céus nos inundarem por às desejarmos mais do que as da Terra? Valorizemos isto!
Pra finalizar, quero ainda incrementar uma última interpretação: "E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono." (Apocalipse 12: 5), Jesus está agora nos céus, não para reinar com violência, mas com uma instrução e sabedoria que acrescentam repreensões e sofrimentos aos seus discípulos nas suas lutas contra a carne, ou, contra os desejos humanos, pelo que Hebreus já advertia: "Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado." (Hebreus 12:4), e quem adquire este conhecimento de Deus, aceitando o reinado de Jesus na sua vida, não pode tornar-se violento, mas sim um sofredor, pelo que Jesus advertiu: "Mas, se aquele servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a espancar os criados e criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera, e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis." (Lucas 12 : 45-46),... 
Ou seja, convém seriedade, com um conhecimento que traz dor e sofrimento, ("Porque na muita sabedoria há muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor." Eclesiastes 1 : 18, e ainda: "Confirmando os ânimos dos discípulos, exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa entrar no reino de Deus." Atos 14 : 22), porém, sem que façamos julgamentos precipitados ou tenhamos preconceitos com acepção de pessoas, mas que tenhamos sim, compreensão e façamos sacrifícios espirituais, como orações, por aqueles que não enxergam o que estão perdendo por não aderirem a uma disciplina espiritual de valores mais sublimes, pois tal atitude de misericórdia e conselho, é o que Deus espera de seus embaixadores aqui no presente mundo.

Você compreende? Deseja isso? Amém. 

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