"Se bem fizeres, não é certo que
serás aceito? E se não fizeres bem, o pecado jaz à porta, e sobre ti será o seu
desejo, mas sobre ele deves dominar." (Gênesis 4: 7).
Mas, como dominar meu desejo?
Sabemos que há quem tenha o desejo
compulsivo da sexualidade, há quem não consegue vencer os impulsos de comer,
outro, de beber bebidas fortes, cada um tem os seus desejos secretos, suas
fantasias, que uma vez afloradas, se tornam compulsivas.
Caim, do texto acima, tinha o desejo
de matar, matar seu próprio irmão! Mas quais eram as raízes desse desejo? Bem
sabemos que não era por um mero prazer, mas por algo obscuro que o
impulsionava, como a inveja e ódio! Pois ele não suportava ver seu irmão
“prosperando” em ter a atenção maior e uma preferência maior de Deus do que
ele.
Sabemos que Caim, não conseguiu
dominar seu desejo! Pois matou Abel. E nós? Conseguimos?? Seria alguém perfeito,
sem nunca ter errado?
Eu sempre fui de pensar que se não
conseguimos dominar nossos atos, ao menos, deveríamos tentar dominar as nossas
intenções, ou, nossa vontade, nosso desejo..., como dizem: “A intenção é que vale”!
Tiago assegura: "De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm
disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam?" (Tiago
4: 1). Ou seja, se há alguma satisfação, deleite, ao qual busquemos, seja por
puro prazer ou por necessidade duma força maior, como fome e pobreza, ou por
mera cobiça..., o certo é que somos escravos de nossos desejos por mais santos
que pareçamos ou pensemos ser. O que nos coloca em constantes atritos! Verdadeiras
guerras entre nós!
Isso pode soar polêmico, mas o óbvio
é que somos todos escravos de algum impulso, mesmo que não admitamos isso, mas
ninguém é perfeito perante Deus, mesmo, que por mais fé possa ter e expressar,
pelo que concluímos: "Se dissermos
que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós."
(1ª João 1: 8)...
Tanto é que Paulo evidencia: "Porque Deus encerrou a todos debaixo
da desobediência, para com todos usar de misericórdia." (Romanos 11: 32),
em outras palavras, ninguém é tão perfeito que possa descriminar alguém só
porque este tropeça em suas compulsões. Não podemos apontar o dedo! Uma vez que
Deus justifica a cada qual conforme as Suas próprias intenções conforme Lhe
convém.
Porém, Tiago vai mais longe! Ao apontar
algo que nos constrange a lógica: "Se
alguém entre vós cuida ser religioso, e não refreia a sua língua, antes engana
o seu coração, a religião desse é vã." (Tiago 1 : 26), em outras
concepções, poderíamos entender que é inútil alguém ter fé em Deus, se não há
interesse em buscar dominar seus próprios desejos, seus impulsos e seus
julgamentos, como Tiago também declara: "Mas nenhum homem pode domar a língua. É um mal que não se pode refrear;
está cheia de peçonha mortal." (Tiago 3: 8).
Quando Tiago fala em “língua”, ele
está se referindo à propensão de defesa e ataque, mediada pela disposição da
intensão, já que Jesus também declarou: "Raça
de víboras, como podeis vós dizer boas coisas, sendo maus? Pois do que há em
abundância no coração, disso fala a boca." (Mateus 12: 34). Sendo o
coração donde brotam desejos e ações.
Bem sabemos que podemos nos
santificar limpando o nosso coração com o desejo de vida eterna. Almejar as
coisas celestiais significa antes de qualquer coisa, buscar por uma mudança,
como adverte Paulo: "Entre os quais
todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade
da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros
também." (Efésios 2: 3), indicando que pela graça já não pertencemos
mais aos impulsos da escravidão, porém, qual a evidência disso?
Simples: “Quem já é espiritual,
estando na vontade de Deus, cogita de coisas espirituais, como quem é ainda é
carnal, pertencente a Satanás, cogita de coisas carnais”! Pelo que se pode ler: "Ora, o homem natural não compreende
as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode
entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente." (1ª Coríntios
2: 14), e Pedro assegura: "Amados,
peço-vos, como a peregrinos e forasteiros, que vos abstenhais das
concupiscências carnais que combatem contra a alma;" (1ª Pedro 2: 11).
Em outras palavras, os impulsos do
corpo humano, quando não disciplinados pelo interesse em coisas celestiais a
fim de desenvolver uma conexão com o transcendente, estes impulsos
prevalecendo, matam a nossa alma e a nossa sensibilidade para perceber a
vontade de Deus para continuar nos planos divinos, ao ponto, de que com a
satisfação da “carne”, nos enganamos achando que estamos fazendo a nossa
vontade quando em verdade estamos agradando àquele que não quer que despertemos
para a realidade da presença divina, como Jesus adverte: "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de
vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade,
porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é
próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira." (João 8: 44).
Ou, toda ilusão dos prazeres terrenos
submerge para a perdição com valores que definem a nossa intenção. Quando
conseguimos ter outros valores, mesmo que nos pareçam impossíveis, como declara
Paulo: "Ora, se eu faço o que não
quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim." (Romanos 7 :
20), portanto, só o fato de nos auto-reprovarmos após algum erro que acusa a
consciência, pois cogitamos, ou, gostaríamos de fazer aquilo que agrada a Deus
sinceramente, isso nos desconecta automaticamente da condenação que nos
sobreviria se aprovássemos os nossos impulsos como se fossem coisas corretas. Ao
que Paulo assegura: "E por que não
dizemos (como somos blasfemados, e como alguns dizem que dizemos): Façamos
males, para que venham bens? A condenação desses é justa." (Romanos 3:
8).
Enfim, é óbvio que não somos
perfeitos e não merecemos os céus, mas o fato de haver em nós algum esforço por
ter interesse em Deus e valores celestiais, isso nos esquiva da condenação caso
aprovássemos a nossa escravidão aos desejos.
Concluindo, somos todos escravos de
algum tipo de satisfação, porém, como reagimos a essa escravidão, seja com
arrependimento ou vergonha, isso nos recondiciona nos propósitos divinos para a
nossa vida. E com isso, para a nossa inclusão ao povo eleito, que, diga-se de
passagem, não é perfeito, mas busca se “limpar” na graça de Deus, como declara
Apocalipse: "Quem é injusto, faça
injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça
ainda; e quem é santo, seja santificado ainda." (Apocalipse 22: 11).
Pensando nisso, envolvidos no lamaçal
dos interesses humanos, seríamos porcos? Ou melhor, desinteressados? Não levando
a sério a Deus?! Ou somos cães? Ou
melhor, aqueles que desistem da fé? Apostatas?! Pois Jesus assegurou: "Não deis aos cães as coisas santas,
nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés
e, voltando-se, vos despedacem." (Mateus 7: 6), ou seja, os porcos
fazem pouco caso e os cães traem! Mas as verdadeiras delícias espirituais, o
banquete da verdade, e os mais profundos mistérios da vontade divina e do Reino de Deus só serão
revelados e concedidos para aqueles que não ponderam em permanecer nestes dois
grupos de cristãos com perfil de Judas Iscariotes...
Portanto, um pouquinho de cada vez,
perseveremos em levar Deus a sério! Isso fará uma diferença profunda em nossa
vitória, pelo que relembro: "Mas,
como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não
subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam."
(1ª Coríntios 2: 9), se há algum prazer agora? Que dirá, porém o prazer
daqueles dias? Quando as virtudes dos céus nos inundarem por às desejarmos mais
do que as da Terra? Valorizemos isto!
Pra finalizar, quero ainda
incrementar uma última interpretação: "E
deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o
seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono." (Apocalipse 12:
5), Jesus está agora nos céus, não para reinar com violência, mas com uma instrução
e sabedoria que acrescentam repreensões e sofrimentos aos seus discípulos nas
suas lutas contra a carne, ou, contra os desejos humanos, pelo que Hebreus já advertia: "Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o
pecado." (Hebreus 12:4), e quem adquire este conhecimento de Deus, aceitando
o reinado de Jesus na sua vida, não pode tornar-se violento, mas sim um
sofredor, pelo que Jesus advertiu: "Mas,
se aquele servo disser em seu coração: O meu senhor tarda em vir; e começar a
espancar os criados e criadas, e a comer, e a beber, e a embriagar-se, virá o senhor daquele servo no dia em
que o não espera, e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua
parte com os infiéis." (Lucas 12 : 45-46),...
Ou seja, convém seriedade, com um conhecimento que
traz dor e sofrimento, ("Porque na muita sabedoria há
muito enfado; e o que aumenta em conhecimento, aumenta em dor." Eclesiastes 1 : 18, e ainda: "Confirmando os ânimos dos discípulos,
exortando-os a permanecer na fé, pois que por muitas tribulações nos importa
entrar no reino de Deus." Atos 14 : 22), porém, sem que façamos julgamentos
precipitados ou tenhamos preconceitos com acepção de pessoas, mas que tenhamos
sim, compreensão e façamos sacrifícios espirituais, como orações, por aqueles que não enxergam
o que estão perdendo por não aderirem a uma disciplina espiritual de valores
mais sublimes, pois tal atitude de misericórdia e conselho, é o que Deus espera
de seus embaixadores aqui no presente mundo.
Você compreende? Deseja isso? Amém.
Nenhum comentário:
Postar um comentário