“Todavia os filhos do teu povo dizem: Não é justo o caminho do Senhor;
mas o próprio caminho deles é que não é justo. Desviando-se
o justo da sua justiça, e praticando iniquidade, morrerá nela. E,
convertendo-se o ímpio da sua impiedade, e praticando juízo e justiça, ele
viverá por eles. Todavia, vós dizeis: Não é justo o caminho do Senhor;
julgar-vos-ei a cada um conforme os seus caminhos, ó casa de Israel.” (Ezequiel 33: 17-20).
Fica óbvio que Deus julgará a cada
qual segundo os seus próprios conhecimentos que tem de Deus e conforme como os
observa, de maneira que há a necessidade de esforço para vencer, conferindo
mérito, como há a necessidade de aceitação da vontade e plano divinos, conferindo
subjugação e dependência. Sendo que quem tem profundo conhecimento dos
mistérios de Deus e de Sua natureza, segundo o investimento de forças e saberes
da parte de Deus neste tal, isso, lhe será cobrado se glorificou a Deus em
medida de esforço para praticá-los, ficando estabelecido que não possa haver ociosidade,
pelo contrário, intensidade, e avivamento da vida, de maneira que confere que
devemos superar as adversidades não perdendo o temor de Deus, sendo que o
respeito para com Deus evita a frieza racional, como adverte Tiago: "Meus irmãos, muitos de vós não sejam
mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo." (Tiago 3: 1), pelo que se assimila que conforme os conhecimentos é
exigida prova de maturidade, de bom testemunho.
Porém, ao mesmo tempo em que, quem
“tapa os olhos para não ver”, preferindo a ignorância e ociosidade, em razão de
sua permanência na selvageria e misticismo, este, sofrerá dano mediante o Juízo
de Deus por não ter aproveitado as oportunidades para se desenvolver, sendo que
o desejo de Deus é que todos maturem conforme advertiu Jesus: "E a condenação é esta: Que a luz veio
ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras
eram más." (João 3: 19), também vale ressaltar: "Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de
entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de
sede." (Isaías 5: 13), ficando óbvio que não se interessar e não
desenvolver conhecimento de Deus, ou uma vida de consagração, piedade e
desenvolvimento para flexibilidade racional e emocional, como sugere Paulo: "Fiz-me como fraco para os fracos, para
ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a
salvar alguns." (1ª Coríntios 9: 22). Não atentar para isso, também
poderá implicar em condenação, por evidenciar tirania e falta de
arrependimento, ou de retorno para Deus em dependência d’Ele, havendo assim, necessidade
de perseverança em temor, como podemos ler: "E
os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e
tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo;" (Lucas
8: 12).
Também podemos ler: "Obedecei a vossos pastores, e
sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar
conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos
seria útil." (Hebreus 13: 17), ou seja, se alguém tem algum chamado
para o Reino de Deus, convém que se manifeste, porque isso lhe será cobrado, e quanto
aos demais, que se lhe sujeitem, como advertiu Paulo: "E falem dois ou três profetas, e os outros julguem. Mas, se a
outro, que estiver assentado, for revelada alguma coisa, cale-se o
primeiro." (1ª Coríntios 14: 29-30), como dizem: “se um burro tá
falando, que os outros abaixem as orelhas”! Dizem que a democracia é o governo
do povo, “quando há doze falando e treze opiniões”... Na edificação espiritual
da Igreja, as coisas não podem ser assim, pois que é dever que cada qual se
manifeste na sua vez, em ordem, para que não haja atropelamento de entendimentos
a fim de que se mantenha a estrutura e organização, e com isso, a paz,... mas porque
estou dizendo isso? Pelo seguinte: "Os
pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada um morrerá pelo
seu pecado." (Deuteronômio 24: 16).
Ou seja, o meu líder espiritual, ou a
Igreja institucional, não terão a condenação por meu pecado, por mais que estes
zelem por minha salvação, mas isto não lhes aplica juízo, a não ser é claro,
que eles tenham negligenciado a revelação de Deus, como podemos ler: "Mas, se quando o atalaia vir que vem a
espada, e não tocar a trombeta, e não for avisado o povo, e a espada vier, e
levar uma vida dentre eles, este tal foi levado na sua iniquidade, porém o seu
sangue requererei da mão do atalaia." (Ezequiel 33: 6), o que sugere
que deve haver intensa comunhão entre espirituais e seus discípulos, ou entre a
Igreja e a sociedade em geral, com constantes advertências e admoestações, porém
o “mestre” não é culpado da rebelião do discípulo, como não pode dar carona
para o Céu, o que fica evidente: "Agora,
pois, perdoa o seu pecado, se não, risca-me, peço-te, do teu livro, que tens
escrito. Então disse o SENHOR a Moisés: Aquele que pecar contra mim, a este
riscarei do meu livro." (Êxodo 32: 32-33).
Essa questão da intercessão diante de
Deus é importante, porém, nem sempre funciona quando o intercedido é obstinado
e rebelde, pelo que João adverte: "Se
alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a
vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não
digo que ore. Toda a iniquidade é pecado, e há pecado que não é para
morte." (1ª João 5: 16-17). Mas há a necessidade de conhecimento de
causa com o desenvolvimento argumentativo não para reclusão, mas para manter o
atrativo da Graça de maneira permanente, que como disse Jesus: "E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim." (João 12: 32), havendo um “fermento do
Reino”, uma inspiração relacional que vivifica e mantém a esperança na
clemência divina até o último suspiro de todo ser vivo.
Fica óbvio que o juízo de Deus é
relativo, ao ponto que temos por aviso: "Portanto,
nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz
as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então
cada um receberá de Deus o louvor." (1ª Coríntios 4: 5), o que
significa que pela lógica humana não há distinção de certeza absoluta quanto à
salvação nem ao galardão de ninguém, ficando isso por absoluto critério divino,
que como está declarado: "Porém o
SENHOR disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da
sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem,
pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração." (1ª Samuel 16: 7).
Sendo o propósito de Deus mais profundo e incisivo do que aquilo que a
observação da realidade nos expressa.
E por mais que se tenha uma prévia de
como funcionará o Juízo de Deus, como está descrito: "De maneira nenhuma; de outro modo, como julgará Deus o mundo? Mas,
se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para glória sua, por que
sou eu ainda julgado também como pecador? E por que não dizemos (como somos
blasfemados, e como alguns dizem que dizemos): Façamos males, para que venham
bens? A condenação desses é justa." (Romanos 3: 6-8). O que dá por
evidência que aqueles que desqualificam, ou duvidam e destroem para se imporem
e serem beneficiados da desgraça alheia estão indo contra Deus! De maneira que
o que é gerado pela dúvida, pelo descrédito, perturba e nos faz requerer maior
apreço pela salvação, estando o sentido da vida na busca, ao ponto, de crermos
contra a esperança de juízo da maioria, de tanto que podemos ler acerca do
exemplo de Abraão: "O qual, em
esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas
nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência." (Romanos
4: 18), sabendo que a nossa fé é a nossa verdadeira justiça, ao que Jesus
adverte: "Porque vos digo que, se a
vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis
no reino dos céus." (Mateus 5: 20), lembrando também: "Assim também vós, quando fizerdes tudo
o que vos for mandado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o
que devíamos fazer." (Lucas 17: 10), de maneira que um cristão sincero
é aquele que se auto supera na incansável peregrinação temerosa à que lhe é
imputada e imposta. Lembrando que a justiça em que a Bíblia se refere é na “fé
em Cristo”, que como está declarado:
"Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer
nele." (Hebreus 10: 38), ficando óbvio que não podemos relaxar em
desenvolver conhecimento de Deus na necessidade de prosseguir em constante
confiança e dependência d'Ele.
Mas também não podemos impor um
conhecimento e a nossa comunhão com Deus ao ponto de tirania, por isso temos do
seguinte: "Tens tu fé? Tem-na em ti
mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo
naquilo que aprova." (Romanos 14: 22), sendo que vai da consciência e
confiança de cada um que cada qual será julgado, se permaneceu em cogitação do
espiritual e da prática de sua confiança, fé, de forma edificativa, como se
declara: "Porque em Jesus Cristo nem
a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor." (Gálatas 5: 6),
sendo que o aprofundamento nos mistérios espirituais não se dão por vontade
humana, ou na fé com pretextos, mas segundo o propósito de edificação do Criador, que revela: "Porque, qual dos homens sabe as coisas
do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe
as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus." (1ª Coríntios 2: 11).
Portanto, compreender como funciona o
Juízo de Deus é para poucos e segundo o chamado com que estes foram agregados
ao corpo de Deus, como aconteceu com Pedro, pelo que está escrito: "Ele, porém, voltando-se, disse a
Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não
compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens." (Mateus 16: 23), Hebreus também declara: "Do qual muito temos que dizer, de
difícil interpretação; porquanto vos fizestes negligentes para ouvir. Porque,
devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a
ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis
feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento."
(Hebreus 5: 11-12). Havendo necessidade de arrependimento para amadurecimento
como veio a ser com Pedro, mesmo que a princípio, o próprio Deus nos “açoite”, ou nos xingue. Mas
isto se faz assim para que haja crédito de desenvolvimento pela
responsabilidade a que nos foi imposta, como declara Paulo: "Não sabeis vós que havemos de julgar
os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?" (1ª
Coríntios 6: 3).
Assim também, é somente pelo
entendimento e a perseverança na vontade de Deus que se estabelece a nossa
salvação, não cabendo propósito humano e prazeres carnais no Reino de Deus,
pelo que se declara: "Nem todo o que
me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade
de meu Pai, que está nos céus." (Mateus 7: 21), sendo que Jesus também
enfatizou: "Jesus disse-lhes: A
minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua
obra." (João 4: 34), de maneira que o que nos livra da condenação é
somente a perseverança em permanecer no Plano de Deus. Buscando desenvolver
espiritualidade contra carnalidade, pelo que se declara: "Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que
passa disto é de procedência maligna." (Mateus 5: 37), não havendo
como ser espiritual e carnal ao mesmo tempo, como confirma Paulo: "E, deliberando isto, usei porventura
de leviandade? Ou o que delibero, o delibero segundo a carne, para que haja em
mim sim, sim, e não, não?" (2ª Coríntios 1: 17), sendo que ou já se
está na vontade de Deus, ou ainda não se está... Havendo necessidade de
radicalidade contra a dissimulação para que se clareie a revelação pessoal que
nos agrega na dependência de Deus, não havendo espaço para uma espiritualidade
fingida. Ao modo que a Graça é imanente enquanto o Juízo divino é
transcendente, porém, à medida que nos desenvolvemos no conhecimento de Deus, tocando
o transcendente, tudo vai se tornando cada vez mais explícito e óbvio, até ser revelado por completo, o que
caracteriza o perigo do homem querer se apossar do direito em ser igual a Deus,
por achar que pode compreender as razões de Deus, perdendo o temor, e com isso,
o agrado de Deus “em continuar lhe concedendo revelações”.
Mediado nisso!? Você já tem clareza
de qual é o plano de Deus para a sua vida? Se não!? Faça uma oração fervorosa agora
determinando enfaticamente para que Deus agregue a sua vida completamente em
Sua vontade. Confie, mas, fortifique-se na fé acreditando na sua salvação pela
fidelidade de Deus, pois isso glorificará a Deus que lhe recompensará à medida
que você lutar para permanecer na Sua revelação, sendo esse o nosso objetivo, o
de permanecer em Sua submissão e dependência, mesmo que haja dúvidas, porém,
convém a nós permanecermos naquelas verdades óbvias que nos foram dadas, nem
que em parte, de maneira que todo o desenvolvimento da vida é relativo até que
se estabeleça o absoluto e o essencial, ou o niilismo e a destruição para
aqueles que rejeitam caminhar em direção à perfeição via esforço em aceitar o
agir de Deus sem questioná-lo, que como Paulo declara: "Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face
a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou
conhecido." (1ª Coríntios 13: 12), deixando claro que não convém o
objetivismo tirano que desconsidera o mistério da vida de que há uma “magia da
presença de Deus”, um deleite que não é propriamente um misticismo, mas sim a
manutenção de um clima de flexibilidade que propicia um detalhe específico para
cada parte sem que se ignore o todo em que tudo está inserido. O que evidencia nossa liberdade...
Portanto, determina-se que a vida não
é confusa, mas relativa conforme os detalhes que Deus estabeleceu para cada
qual, sendo que somente Ele entende as razões de tudo ser como o é. Não cabendo
a nós intromissão alheia, a fim de impor uma unificação, mas que cada qual
cuide primeiramente de si próprio, depois, edifique a comunidade conforme lhe é
solicitado no serviço à medida que seu dom se torna manifesto. Enfim,
desenvolva-se! Mas sem perder o espírito contemplativo de apreciar a vida em
todos os seus detalhes. Sendo
todo o relativismo da vida nada mais e nada menos do que pura liberdade. Amém.
Nenhum comentário:
Postar um comentário