quarta-feira, 11 de setembro de 2019

TRAGÉDIAS.


"Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus." (João 9: 3).
Estou escrevendo esta prédica acima de tudo em razão duma tragédia, que aconteceu ontem, a Dez de Setembro de 2019, na vida de um pastor amigo meu que inclusive foi o responsável e maior incentivador para que eu criasse os meus Blogs..., e a tragédia é que ontem, morreu perto de sua casa um de seus filhos de apenas onze anos de idade, atropelado por um caminhão basculante (caçamba trucada). Pretendo não só consolar a família como também aliviar o coração de pessoas que passam por situações semelhantes.
Como diz o versículo em destaque, geralmente aquilo que não conseguimos aceitar nem compreender na realidade cotidiana desse mundo, não pode ser justificada como sendo em razão do erro de alguém. Na maior parte das vezes procuramos um culpado, um pecador, e se ele não aparece, somos até capazes de culpar a Deus e nos revoltarmos contra Ele como se Ele tivesse algum desafeto contra a gente. Mesmo que saibamos que Deus é amor e tudo o que Ele faz e permite é em razão do Seu intenso amor por nós, como disse Jesus: “... mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.”.
Vale entender que as Obras de Deus não cabem na nossa lógica, nos parecem estranhas, e às vezes até sem sentido para a nossa assimilação. Pois devemos ter em mente que Deus vê aquilo que nossos olhos não enxergam, tanto a realidade transcendente como aquilo que está no coração. E Deus sabe aquilo que não conseguimos compreender, a exemplo, o futuro e todos os caminhos das possibilidades da vida e do caráter humano.
Além disso, há quem pense, em razão de achar que pode controlar a sua vida ignorando que ela está nas mãos do Criador, pensam, que Deus possa sofrer alguma derrota para o mal. Cruel engano! Deus nunca sofre derrotas! Por mais que em nossa vida chegamos a pensar que nós mesmos possamos sofrer alguma derrota para o mal por não estarmos plenamente firmados na onipotência de Deus, até isso é um engano! Pois Paulo assegura: "Mas em todas estas coisas somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou." (Romanos 8: 37), sendo que por mais que algum sofrimento nos pareça uma derrota aqui nessa realidade, mas no ecoar da Eternidade essas coisas em verdade são vitórias, acerca do que a Bíblia confirma: "Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente;" (2ª Coríntios 4: 17).
Jesus declarou acerca de uma tragédia que aconteceu durante o Seu ministério terreno o seguinte: “E, naquele mesmo tempo, estavam presentes ali alguns que lhe falavam dos galileus, cujo sangue Pilatos misturara com os seus sacrifícios. E, respondendo Jesus, disse-lhes: Cuidais vós que esses galileus foram mais pecadores do que todos os galileus, por terem padecido tais coisas? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis. E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis.” (Lucas 13: 1-5).
Com essa declaração Jesus não atenua a culpa daqueles que passaram por aquela tragédia como ela sendo um castigo de Deus, mas Jesus enfatiza que a tragédia maior seria não receber o Reino de Deus, não sendo edificados com as tragédias da vida. E João Batista destaca: "E dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus." (Mateus 3: 2), ou seja, João desafia uma sociedade egoísta e prepotente para que se auxiliassem uns aos outros numa comunidade, pois é isso que é verdadeiramente o Reino de Deus, o auxílio mútuo, e em razão disso, João ainda diz mais: “Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento, e não comeceis a dizer em vós mesmos: Temos Abraão por pai; porque eu vos digo que até destas pedras pode Deus suscitar filhos a Abraão. E também já está posto o machado à raiz das árvores; toda a árvore, pois, que não dá bom fruto, corta-se e lança-se no fogo. E a multidão o interrogava, dizendo: Que faremos, pois? E, respondendo ele, disse-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com o que não tem, e quem tiver alimentos, faça da mesma maneira. E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer? E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado. E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo.” (Lucas 3: 8-14).
Entendemos que a Glória do Reino de Deus se torna visível quando há o consolo mútuo em que todos buscam como poder ajudar o seu próximo, não o julgando e nem o condenando precipitadamente, e é nisso que consiste toda a pregação genuína do Evangelho. Quando muitos, por serem tocados pela verdade, resolvem abandonar seus interesses pessoais e buscam se solidarizar com os menos favorecidos e com aqueles que estão passando por terríveis sofrimentos, tal como a perda de seus amados...
Entenda, aquilo que aos olhos humanos parece ser uma tragédia, na visão espiritual é uma oportunidade que Deus a nem todos concede, mas justamente por Seu amor, aos que mais precisam dessa oportunidade para uma Glória maior que Deus reservou aos Seus amados, a aqueles que se mostram fiéis no conhecimento que já possuem de Deus e almejam crescer nessa Graça de conhecer Deus mais amplamente ainda para poder servi-Lo mais abundantemente nas necessidades do próximo.
Zaqueu, quando tomou a decisão: "E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se nalguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado." (Lucas 19: 8), ou seja, quando Zaqueu resolveu auxiliar os menos favorecidos da sociedade, e ressarcir seus erros retribuindo aqueles a que prejudicou no passado, pôde ouvir de Jesus: “E disse-lhe Jesus: Hoje veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.” (Lucas 19: 9-10).
Compreendemos assim que a nossa Salvação se torna consistente em medida que nos dispomos para ajudar ao próximo e corrigir ou amenizar as nossas ofensas e agressões.
Concluo assim, que a partida deste menino de apenas onze anos de idade para a realidade transcendente, é uma oportunidade para a família enlutada conhecer e discernir quem realmente pertence ao corpo de Cristo e lhes auxiliará tanto no reestabelecimento emocional, como no amparo espiritual. Também ao pastor, pai do menino, servirá como uma oportunidade oferecida por Deus de crescimento em ministério, dando-lhe entendimento para quais são as reais necessidades de suas “ovelhas” que se achegarão a ele nessa ocasião, as quais ele dará contas, mas acima de tudo, lhe estimulará numa intimidade maior com o seu Criador (por mais polêmico que isso pareça, mas é a verdade).
Chorar, abraçar, desabafar, são formas de vencer as tragédias canalizando-as, e assim, permite-se uma nova ótica de análise do quanto que se pode ser edificado e edificar aos outros em tais situações. Lembrando que Deus nunca permite algo que possa nos afastar de Sua Graça. Uma vez que até mesmo em nossas revoltas, Deus proverá Seu cuidado para conosco, pois a Bíblia afirma: "Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar." (1ª Coríntios 10: 13).
Orar, meditar na Bíblia, pode se tornar um fardo para quem está abalado sentimentalmente, até mesmo palavras alheias sobre reflexões bíblicas podem parecer desagradáveis, como esta daqui, então, em momentos de tragédias, convém antes conversar e descontrair os pensamentos para focar em outras coisas que possam trazer a alegria ao coração novamente.
Pensando nisso, a orientação que repassei aqui, serve mais para estimular outros a querer ajudar alguém que está passando por uma tragédia, do que propriamente para quem ainda vive a dor duma tragédia. Sendo assim, o meu consolo para a família enlutada, consiste acima de tudo, no correto uso desta prédica dos que se comoveram com a tragédia dessa família..., quero motivá-los a arriscarem-se a se solidarizar com os que sofrem, assim, possuindo um entendimento profético para a perfeita edificação de todos, inclusive, discernindo e colaborando com o verdadeiro corpo de Cristo. Daqueles que são chamados para realizar os propósitos de Deus sem se atrever em questionar e buscar mudar a Sua vontade aos moldes da vontade humana. Amém.

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